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Blake Pierce
Blake Pierce é o autor da série de enigmas RILEY PAGE, com doze livros (com outros a caminho). Blake Pierce também é o autor da série de enigmas MACKENZIE WHITE, composta por oito livros (com outros a caminho); da série AVERY BLACK, composta por seis livros (com outros a caminho), da série KERI LOCKE, composta por cinco livros (com outros a caminho); da série de enigmas PRIMÓRDIOS DE RILEY PAIGE, composta de dois livros (com outros a caminho); e da série de enigmas KATE WISE, composta por dois livros (com outros a caminho).
Como um ávido leitor e fã de longa data do gênero de suspense, Blake adora ouvir seus leitores, por favor, fique à vontade para visitar o site www.blakepierceauthor.com para saber mais a seu respeito e também fazer contato.
Copyright© 2018 Blake Pierce. Todos os direitos reservados. Exceto como permitido sob o Copyright Act dos Estados Unidos de 1976, nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, distribuída ou transmitida por qualquer forma ou meios, ou armazenada numa base de dados ou sistema de recuperação sem a autorização prévia do autor. Este ebook está licenciado apenas para seu usufruto pessoal. Este ebook não pode ser revendido ou dado a outras pessoas. Se gostava de partilhar este ebook com outra pessoa, por favor compre uma cópia para cada recipiente. Se está a ler este livro e não o comprou ou não foi comprado apenas para seu uso, por favor devolva-o e compre a sua cópia. Obrigado por respeitar o trabalho árduo deste autor. Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, empresas, organizações, locais, eventos e incidentes ou são o produto da imaginação do autor ou usados ficcionalmente. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou falecidas, é uma coincidência. Jacket image Copyright Photographee.eu i, usado sob licença de Shutterstock.com.
LIVROS DE BLAKE PIERCE
SÉRIE UM THRILLER PSICOLÓGICO DE JESSIE HUNT
A ESPOSA PERFEITA (Livro #1)
O PRÉDIO PERFEITO (Livro #2)
SÉRIE UM THRILLER PSICOLÓGICO DE CHLOE FINE
A PRÓXIMA PORTA (Livro #1)
A MENTIRA MORA AO LADO (Livro #2)
SÉRIE UM MISTÉRIO DE KATE WISE
SE ELA SOUBESSE (Livro #1)
SE ELA VISSE (Livro #2)
SE ELA CORRESSE (Livro #3)
SÉRIE OS PRIMÓRDIOS DE RILEY PAIGE
ALVOS A ABATER (Livro #1)
À ESPERA (Livro #2)
A CORDA DO DIABO (Livro #3)
AMEAÇA NA ESTRADA (Livro #4)
SÉRIE UM MISTÉRIO DE RILEY PAIGE
SEM PISTAS (Livro #1)
ACORRENTADAS (Livro #2)
ARREBATADAS (Livro #3)
ATRAÍDAS (Livro #4)
PERSEGUIDA (Livro #5)
A CARÍCIA DA MORTE (Livro #6)
COBIÇADAS (Livro #7)
ESQUECIDAS (Livro #8)
ABATIDOS (Livro #9)
PERDIDAS (Livro #10)
ENTERRADOS (Livro #11)
DESPEDAÇADAS (Livro #12)
SEM SAÍDA (Livro #13)
ADORMECIDO (Livro #14)
SÉRIE UM ENIGMA DE MACKENZIE WHITE
ANTES QUE ELE MATE (Livro #1)
ANTES QUE ELE VEJA (Livro #2)
ANTES QUE ELE COBICE (Livro #3)
ANTES QUE ELE LEVE (Livro #4)
ANTES QUE ELE PRECISE (Livro #5)
ANTES QUE ELE SINTA (Livro #6)
ANTES QUE ELE PEQUE (Livro #7)
ANTES QUE ELE CACE (Livro #8)
SÉRIE UM MISTÉRIO DE AVERY BLACK
RAZÃO PARA MATAR (Livro #1)
RAZÃO PARA CORRER (Livro #2)
RAZÃO PARA SE ESCONDER (Livro #3)
RAZÃO PARA TEMER (Livro #4)
RAZÃO PARA SALVAR (Livro #5)
RAZÃO PARA SE APAVORAR (Livro #6)
SÉRIE UM MISTÉRIO DE KERI LOCKE
RASTRO DE MORTE (Livro #1)
RASTRO DE UM ASSASSINO (Livro #2)
UM RASTRO DE IMORALIDADE (Livro #3)
UM RASTRO DE CRIMINALIDADE (Livro #4)
UM RASTRO DE ESPERANÇA (Livro #5)
PRÓLOGO
Morgan Farrell não tinha ideia de onde estava ou de onde acabara de vir. Ela sentia como se estivesse saindo de um nevoeiro profundo e espesso. Algo ou alguém estava bem ali na frente dela.
Ela se inclinou para a frente e viu o rosto de uma mulher olhando para ela. A mulher parecia tão perdida e confusa quanto Morgan.
“Quem é você?" Perguntou à mulher.
O rosto murmurou as palavras em uníssono com ela, e então Morgan percebeu…
Meu reflexo.
Estava olhando para o próprio rosto em um espelho.
Ela se sentiu estúpida por não se reconhecer imediatamente, mas não completamente surpresa.
Meu reflexo.
Ela sabia que estava olhando para o próprio rosto no espelho, mas parecia star olhando uma estranha. Esse era o rosto que ela sempre tivera, o rosto que as pessoas descreviam como elegante e bonito. Agora lhe parecia artificial.
O rosto no espelho não parecia muito… vivo.
Por alguns instantes, Morgan se perguntou se havia morrido. Mas podia sentir sua respiração ligeiramente irregular. Sentiu seu coração batendo um pouco rápido.
Não, ela não estava morta. Mas parecia estar perdida.
Tentou raciocinar.
Onde estou?
O que estava fazendo antes de chegar aqui?
Por estranho que parecesse, era um problema familiar. Essa não era a primeira vez que se encontrava em alguma parte da enorme casa sem saber como tinha chegado lá. Seus ataques de sonambulismo eram causados pelos múltiplos tranquilizantes prescritos pelo médico, além de muito whiskey.
Morgan só sabia de uma coisa – era melhor que Andrew não a visse como estava naquele momento. Não tinha maquiagem e seu cabelo estava desalinhado. Ergueu a mão para retirar uma mecha de cabelo da testa, e então viu…
Minha mão.
Está vermelha.
Está coberta de sangue.
Observou o espanto no rosto refletido.
Depois levantou a outra mão.
Também estava vermelha com sangue.
Com um tremor de repulsa, impulsivamente enxugou as mãos na frente de sua roupa.
Então seu horror aumentou. Tinha acabado de espalhar sangue em sua camisola de seda extremamente cara.
Andrew ficaria furioso se descobrisse.
Mas como iria se limpar?
Olhou ao redor, então apressadamente pegou uma toalha de mão pendurada ao lado do espelho. Enquanto tentava limpar as mãos, viu o monograma…
AF
Essa era a toalha do marido.
Fez um esforço para se concentrar no que a rodeava… as toalhas com monograma… as paredes cintilantes douradas.
Ela estava no banheiro do marido.
Morgan suspirou com desespero.
Suas andanças noturnas já antes a tinham levado ao quarto do marido. Quando o acordava, ficava sempre furioso com ela por violar sua privacidade.
E agora percorrera o quarto até o banheiro adjacente.
Estremeceu. Os castigos do marido sempre eram cruéis.
O que ele vai fazer comigo dessa vez? Pensou.
Morgan sacudiu a cabeça, tentando se libertar da névoa mental. Sua cabeça estava doendo e sentiu náuseas. Obviamente, tinha bebido muito e tomado muitos tranquilizantes. E agora, não só tinha sujado de sangue uma das preciosas toalhas de Andrew, como viu que tinha deixado impressões em todo o balcão do banheiro branco. Havia até sangue no chão de mármore.
De onde veio todo esse sangue? Perguntou a si mesma.
Uma possibilidade estranha lhe ocorreu…
Eu tentei me matar?
Não se lembrava de fazer isso, mas parecia possível. Pensara em suicídio mais de uma vez desde que se casara com Andrew. E se alguma vez morresse por sua própria mão, não seria a primeira a fazê-lo naquela casa.
Mimi, a esposa de Andrew antes de Morgan, havia cometido suicídio.
E também seu filho Kirk, em novembro passado.
Quase sorriu com amarga ironia…
Terei tentado continuar a tradição da família?
Deu um passo para trás para se ver melhor a si mesma.
Todo esse sangue…
Mas não parecia estar ferida em lugar algum.
Então de onde viera o sangue?
Ela se virou e viu que a porta que dava para o quarto de Andrew estava aberta.
Ele está lá? Perguntou-se.
Não acordara com o sucedido?
Ficou mais tranquila com essa possibilidade. Se ele estivesse dormindo tão profundamente, talvez ela pudesse fugir sem que ele percebesse a sua presença.
Mas então sufocou um gemido quando percebeu que não ia ser tão fácil. Ainda tinha que limpar todo aquele sangue.
Se Andrew entrasse em seu banheiro e encontrasse aquela bagunça terrível, é claro que ele saberia que ela era de alguma forma culpada.
Sempre era culpada de tudo na opinião dele.
Com o pânico aumentando, começou a limpar o balcão com a toalha. Mas isso não resultou. Tudo o que estava fazendo era espalhar o sangue por todo o lado. Precisava de água para limpar as coisas.
Quase ligou a torneira quando percebeu que o som de água corrente certamente acordaria Andrew. Pensou que talvez pudesse fechar a porta do banheiro suavemente e ligar a água o mais silenciosamente possível.
Ela se arrastou na ponta dos pés pelo enorme banheiro em direção à porta. Quando chegou lá, cautelosamente espreitou para o quarto.
E ficou surpresa com o que viu.
As luzes estavam baixas, mas não havia dúvida de que Andrew estava deitado na cama.
Estava coberto de sangue. Os lençóis estavam cobertos de sangue. Havia até sangue no chão.
Morgan correu para a cama.
Os olhos do marido estavam abertos com uma expressão de terror imóvel.
Ele está morto, Percebeu. Ela não tinha morrido, mas Andrew tinha.
Ele tinha cometido suicídio?
Não, isso era impossível. Andrew não tinha nada além de desprezo por pessoas que tiravam suas próprias vidas – incluindo sua esposa e filho.
"Pessoas não sérias" Costumava ele dizer sobre elas.
E Andrew sempre se orgulhara de ser uma pessoa séria.
E sempre levantara essa questão com Morgan…
"Você é uma pessoa séria?"
Ao olhar mais atentamente, pode ver que Andrew tinha sangrado de muitas feridas diferentes por todo o corpo. E aninhada entre os lençóis encharcados de sangue ao lado de seu corpo, viu uma grande faca de cozinha.
Quem poderia ter feito isso? Morgan se perguntou.
Então, uma estranha e eufórica calma se abateu sobre ela quando percebeu…
Eu finalmente fiz isso.
Eu o matei.
Ela fizera isso em seus sonhos muitas vezes.
E agora, finalmente, ela o fizera de verdade.
Sorriu e disse em voz alta para o cadáver…
"Quem é uma pessoa séria agora?"
Mas ela sabia que não devia aproveitar essa sensação calorosa e agradável. Assassinato era assassinato e ela sabia que tinha que aceitar as consequências.
Mas em vez de medo ou culpa, sentiu uma profunda satisfação.
Ele era um homem horrível. E estava morto. O que quer que tivesse acontecido, valera a pena.
Pegou no telefone ao lado de sua cama com a mão pegajosa e quase discou o 112 antes de pensar…
Não.
Há outra pessoa a quem quero contar primeiro.
Era uma mulher gentil que demonstrara preocupação com seu bem-estar há algum tempo.
Antes de fazer qualquer outra coisa, precisava ligar para aquela mulher e dizer-lhe que não precisava mais se preocupar com a Morgan.
Finalmente, tudo estava bem.
CAPÍTULO UM
Riley notou que Jilly estava se contraindo um pouco em seu sono. A garota de quatorze anos estava no assento ao lado, com a cabeça apoiada no ombro de Riley. O avião já estava no ar há cerca de três horas e demoraria mais algumas horas até que pousassemem Phoenix.
Ela está sonhando? Riley se perguntou.
Se assim fosse, Riley esperava que os sonhos não fossem ruins.
Jilly vivera experiências horríveis durante sua curta vida e ainda tinha muitos pesadelos. Parecia especialmente ansiosa desde que a carta dos serviços sociais de Phoenix tinha chegado, informando que o pai de Jilly queria sua filha de volta. Agora estavam indo para Phoenix para uma audiência que resolveria o assunto de uma vez por todas.
Riley não podia deixar de se preocupar também. O que seria de Jilly se o juiz não permitisse que ela ficasse com Riley?
A assistente social dissera que não esperava que isso acontecesse.
Mas e se ela estivesse errada? Riley se perguntou.
Todo o corpo de Jilly começou a se contrair mais agudamente. Começou a gemer baixinho.
Riley a sacudiu suavemente e disse, “Acorde, querida. Você está tendo um pesadelo.”
Jilly se sentou direita e olhou em frente por um momento. Então começou a chorar.
Riley colocou o braço em volta de Jilly e procurou em sua bolsa por um lenço de papel.
Perguntou, “O que é isso? Com o que você estava sonhando?”
Jilly soluçou por alguns instantes. Então disse, “Não foi nada. Não se preocupe."
Riley suspirou. Ela sabia que Jilly guardava segredos sobre os quais não gostava de falar.
Acariciou o cabelo escuro da menina e disse, “Você pode me dizer tudo, Jilly. Você sabe disso."
Jilly enxugou os olhos e assoou o nariz.
Finalmente disse, “Estava sonhando com algo que realmente aconteceu. Alguns anos atrás. Meu pai estava bêbado e estava me culpando como sempre – por minha mãe ir embora, por ele não conseguir manter um emprego. Por tudo. Ele me disse que me queria fora de sua vida. Ele me arrastou pelo braço para um armário e me jogou para dentro e trancou a porta e…”
Jilly ficou em silêncio e fechou os olhos.
"Por favor, me diga" Disse Riley.
Jilly se sacudiu um pouco e disse, “Eu estava com medo de gritar no início, porque achei que ele me arrastaria de volta e me batia. Ele apenas me deixou lá, como se tivesse esquecido de mim. E depois…"
Jilly reprimiu um soluço.
"Eu não sei quantas horas se passaram, mas tudo ficou bem silencioso. Pensei que talvez ele tivesse acabado por desmaiar ou ido para a cama ou algo assim. Mas ficou assim por muito, muito tempo, e tudo ficou tão silencioso. Finalmente, percebi que ele devia ter saído de casa. Ele fazia isso às vezes. Desaparecia durante dias e eu nunca sabia quando ele voltava ou se voltava.”
Riley estremeceu quando tentou imaginar o horror da pobre garota.
Jilly continuou, “Finalmente comecei a gritar e bater na porta, mas é claro que ninguém podia me ouvir e eu não consegui sair. Estava sozinha naquele armário por… Eu ainda não sei quanto tempo. Vários dias, provavelmente. Eu não tinha nada para comer e não conseguia dormir, estava com muita fome e medo. Tive que fazer minhas necessidades ali e depois tive que limpar isso. Comecei a ver e ouvir coisas estranhas no escuro – acho que devem ter sido alucinações. Acho que meio que perdi a cabeça.”
Não admira, Pensou Riley com horror.
Jilly disse, “Quando ouvi ruídos na casa de novo, pensei que talvez estivesse apenas ouvindo coisas. Eu gritei e papai veio até o armário e o destrancou. Ele estava completamente sóbrio naquele momento e pareceu surpreso em me ver. "Como você ficou aí?" Disse ele. Ficou aborrecido por me ter metido naquela bagunça e me tratou bem por um tempo depois disso.”
A voz de Jilly era quase sussurro, e acrescentou, "Você acha que ele vai ficar com a minha custódia?"
Riley engoliu um nó de ansiedade. Ela deveria compartilhar seus próprios medos com a garota que ela ainda esperava adotar como sua própria filha?
Não conseguia fazer isso.
Em vez disso disse…
"Tenho certeza que não vai."
"É melhor que não" Disse Jilly. "Porque se se isso acontecer, eu vou fugir para sempre. Ninguém nunca vai me encontrar.”
Riley sentiu um arrepio profundo quando percebeu…
Ela está falando a sério.
Jilly tinha um histórico de fugir de lugares de que não gostava. Riley lembrou muito bem como fora seu primeiro encontro com Jilly. Riley estava trabalhando em um caso envolvendo prostitutas mortas em Phoenix, e encontrou Jilly na cabine de um caminhão em um estacionamento onde prostitutas trabalhavam. Jilly decidira se tornar uma prostituta e vender seu corpo para o dono do caminhão.
Será que ela faria algo tão desesperado de novo? Riley se perguntou.
Riley ficou horrorizada com a ideia.
Enquanto isso, Jilly se acalmara e voltara a adormecer. Riley aninhou a cabeça da menina contra seu ombro novamente. Tentou parar de se preocupar com a data da próxima audiência. Mas não conseguia se livrar do medo de perder Jilly.
Será que Jilly sobreviveria se isso acontecesse?
E se ela sobrevivesse, que tipo de vida teria?
*
Quando o avião aterrou, quatro pessoas esperavam para cumprimentar Riley e Jilly. Uma era um rosto familiar – Brenda Fitch, a assistente social que colocara Jilly ao cuidado de Riley. Brenda era uma mulher esbelta e nervosa com um sorriso caloroso e carinhoso.
Riley não reconheceu as outras três pessoas. Brenda abraçou Riley e Jilly e fez apresentações, começando com um casal de meia-idade, ambos fortes e sorridentes.
Brenda disse, “Riley, penso que não conheça Bonnie e Arnold Flaxman. Eles foram os pais adotivos de Jilly por um curto período depois que você a resgatou.”
Riley assentiu, lembrando como Jilly fugira do casal bem intencionado. Jilly estava determinada a viver somente com Riley. Riley esperava que os Flaxman não tivessem ressentimentos. Mas pareciam gentis e acolhedores.
Brenda então apresentou Riley a um homem alto com uma cabeça longa e de formato estranho, e um sorriso um tanto vazio.
Brenda disse, “Este é Delbert Kaul, nosso advogado. Vamos lá, vamos a algum lugar onde nos possamos sentar e conversar.”
O grupo dirigiu-se então até o café mais próximo. Os adultos tomaram café e Jilly pediu um refrigerante. Quando todos se sentaram, Riley lembrou que o irmão de Bonnie Flaxman era Garret Holbrook, um agente do FBI em Phoenix.
Riley perguntou, "Como está Garrett?"
Bonnie encolheu os ombros e sorriu. "Ah. Garrett é Garrett.”
Riley assentiu. Ela se lembrou do agente como um homem bastante taciturno com um comportamento frio. Mas nessa altura estava investigando o assassinato da meia-irmã de Garrett. Ele ficara grato quando ela resolveu o crime e ajudou a colocar Jilly em uma casa de acolhimento com os Flaxman. Riley sabia que ele era um bom homem apesar de aparentar frieza.
Brenda disse a Riley, "Fico feliz que você e Jilly tenham chegado aqui em tão pouco tempo. Eu realmente esperava que estivéssemos finalizando a adoção até agora, mas como escrevi para você em minha carta, nos deparamos com um problema. O pai de Jilly afirma que tomou a decisão de desistir de Jilly sob coação. Não só está contestando a adoção, como está ameaçando acusá-la de sequestro – e a mim como cúmplice.”
Examinando alguns documentos legais, Delbert Kaul acrescentou, “O caso dele é bem frágil. Mas não se preocupe com isso. Tenho a certeza de que podemos resolver tudo isso amanhã.”
De alguma forma, o sorriso de Kaul não era muito reconfortante para Riley. Havia algo fraco e incerto nele. Deu por si a pensar como ele havia sido designado para o caso.
Riley notou que Brenda e Kaul pareciam ter um relacionamento fácil. Não pareciam ser um casal romântico, mas antes bons amigos. Talvez tivesse sido por isso que Brenda o contratara.
Não necessariamente uma boa razão, Pensou Riley.
"Quem é o juiz?" Riley perguntou.
O sorriso de Kaul desapareceu um pouco quando disse, “Owen Heller. Não seria exatamente a minha primeira escolha, mas foi o melhor que conseguimos dadas as circunstâncias.”
Riley reprimiu um suspiro. Ela estava se sentindo cada vez menos segura. Esperava que Jilly não estivesse sentindo o mesmo.
Kaul então discutiu o que o grupo deveria esperar na audiência. Bonnie e Arnold Flaxman iam testemunhar sobre sua própria experiência com Jilly. Eles enfatizariam a necessidade da garota ter um ambiente doméstico estável, que não poderia ter com o pai.
Kaul disse que gostaria que o irmão mais velho de Jilly testemunhasse, mas ele havia desaparecido há muito tempo e Kaul não conseguiu localizá-lo.
Riley deveria testemunhar sobre o tipo de vida que ofereceu a Jilly. Viera para Phoenix armada com todo o tipo de documentação para basear suas reivindicações, incluindo informações financeiras.
Kaul bateu com o lápis na mesa e acrescentou, “Agora, Jilly, você não precisa testemunhar…”
Jilly interrompeu. "Eu quero. Eu vou."
Kaul pareceu um pouco surpreso com a nota de determinação na voz de Jilly. Riley desejou que o advogado parecesse tão determinado quanto Jilly.
"Bem" Disse Kaul, "vamos considerar isso resolvido".
Quando a reunião terminou, Brenda, Kaul e os Flaxman foram embora juntos. Riley e Jilly alugaram um carro, e depois foram para um hotel próximo onde fizeram o check-in.
*
Assim que se acomodaram no quarto de hotel, Riley e Jilly pediram uma pizza. A TV passava um filme que elas já tinham visto e não prestaram muita atenção. Para alívio de Riley, Jilly não parecia nem um pouco ansiosa agora. Conversaram agradavelmente sobre pequenas coisas, como o próximo ano letivo de Jilly, roupas e sapatos, e celebridades nas notícias.
Riley achava difícil acreditar que Jilly estava em sua vida há tão pouco tempo. As coisas pareciam tão naturais e fáceis entre elas.
Como se sempre tivesse sido minha filha, Pensou Riley. Percebeu que era exatamente como se sentia, mas isso provocou uma renovada explosão de ansiedade.
Terminaria tudo amanhã?
Riley não conseguia pensar em como isso seria.
Elas estavam quase terminando sua pizza quando foram interrompidas por um toque alto do laptop de Riley.
"Oh, deve ser April!" Disse Jilly. "Ela prometeu que falaríamos".
Riley sorriu e deixou Jilly atender a ligação de sua filha mais velha. Riley ouvia as duas garotas conversando como irmãs em que se tinham transformado.
Quando as garotas terminaram de falar, Riley falou com April enquanto Jilly se sentou na cama para assistir TV. O rosto de April parecia sério e preocupado.
Ela perguntou, "Como estão as coisas para amanhã, mamãe?"
Olhando por toda a sala, Riley viu que Jilly se interessara pelo filme novamente. Riley não achava que ela estava ouvindo o que ela e April estavam falando, mas queria ter cuidado.
"Vamos ver" Disse Riley.
April falou em voz baixa para que Jilly não pudesse ouvir.
"Você parece preocupado, mamãe."
"Estou sim" Disse Riley, falando em voz baixa.
“Você vai conseguir, mamãe. Eu sei que você consegue."
Riley engoliu em seco.
"Espero que sim" Disse ela.
Ainda falando baixinho, a voz de April tremia de emoção.
"Nós não podemos perdê-la, mamãe. Ela não pode voltar a esse tipo de vida.”
"Eu sei" Disse Riley. "Não se preocupe."
Riley e April se entreolharam em silêncio por alguns instantes. De repente, Riley sentiu-se profundamente comovida com a maturidade que sua filha de quinze anos demonstrava naquele momento.
Ela está realmente crescendo, Riley pensou orgulhosamente.
April finalmente disse, "Bem, eu vou deixar você ir. Ligue para mim assim que souber de alguma coisa.”
"Eu vou fazer isso" Disse Riley.
Ela terminou a videochamada e voltou a se sentar na cama com Jilly. O filme estava terminando quando o telefone tocou. Riley sentiu outra onda de preocupação.
Ultimamente, os telefonemas não traziam boas notícias.
Pegou no telefone e ouviu a voz de uma mulher.
"Agente Paige, estou ligando da central telefônica de Quantico. Recebemos uma ligação de uma mulher em Atlanta e… bem, não sei como lidar com isso, mas ela quer falar diretamente com você.”
"Atlanta?" Riley perguntou. "Quem é?"
"O nome dela é Morgan Farrell."
Riley sentiu um calafrio de alarme.
Ela se lembrou da mulher de um caso em que trabalhara em fevereiro. O marido rico de Morgan, Andrew, havia sido suspeito em um caso de assassinato. Riley e seu parceiro, Bill Jeffreys, entrevistaram Andrew Farrell em casa e determinaram que ele não era o assassino que estavam procurando. No entanto, Riley tinha visto sinais de que o homem estava abusando de sua esposa.
Ela silenciosamente havia deixado para Morgan um cartão do FBI, mas nunca lhe tinha ligado.
Eu acho que ela finalmente quer ajuda, Riley pensou, imaginando a mulher magra, elegante, mas tímida que tinha visto na mansão de Andrew Farrell.
Mas Riley se perguntou – o que poderia ela fazer fazer por alguém em suas atuais circunstâncias?
Na verdade, a última coisa no mundo que Riley precisava agora era outro problema para resolver.
A operadora perguntou, "Você quer que eu faça a ligação?"
Riley hesitou por um segundo e disse, "Sim, por favor."
Em um momento, ouviu o som da voz de uma mulher.
"Olá, estou falando com a agente especial Riley Paige?"
Agora ocorria-lhe – ela não conseguia se lembrar de Morgan ter dito uma única palavra enquanto lá estiversaá. Parecia muito apavorada com o marido para falar.
Mas agora não parecia aterrorizada.
Na verdade, parecia bastante feliz.
Será apenas um telefonema de circunstância? Riley se perguntou.
"Sim, fala Riley Paige" Disse ela.
“Bem, eu apenas pensei que lhe devia um telefonema. Você foi muito gentil comigo naquele dia em que visitou nossa casa e me deixou seu cartão, e parecia estar preocupada comigo. Eu só queria que soubesse que já não precisa mais se preocupar comigo. Tudo vai ficar bem agora.”
Riley ficou aliviada por saber.
"Fico feliz em ouvir isso” Disse ela. “Você o deixou? Está se divorciando?”
"Não" Disse Morgan alegremente. "Eu matei o filho da mãe."
CAPÍTULO DOIS
Riley sentou-se na cadeira mais próxima, sua mente cambaleando enquanto as palavras da mulher ecoavam na sua cabeça.
"Eu matei o filho da mãe."
Morgan realmente disse isso?
Então Morgan perguntou, "Agente Paige, ainda está aí?"
"Ainda estou aqui" Disse Riley. "Conte-me o que aconteceu."
Morgan ainda soava estranhamente calma.
“O problema é que não tenho a certeza. Tenho andado bastante dopada ultimamente e eu não lembro das coisas que faço. Mas eu matei ele. Estou olhando para o corpo dele deitado na cama e tem ferimentos de faca, e sangrou muito. Parece que o matei com uma faca de cozinha afiada. A faca está ao lado dele.”
Riley se esforçou para entender o que estava ouvindo.
Ela se lembrava de como Morgan parecera doentiamente magra. Riley tinha certeza de que ela era anoréxica. Riley sabia melhor do que ninguém como era difícil esfaquear uma pessoa até a morte. Morgan seria fisicamente capaz de fazer uma coisa dessas?
Ouviu Morgan suspirar.
“Peço desculpa por incomodar, mas sinceramente não sei o que fazer a seguir. Será que me poderia ajudar?"
“Você contou a mais alguém? Chamou a polícia?”
"Não."
Riley gaguejou, "Eu vou … eu vou tratar disso."
"Oh, muito obrigada."
Riley estava prestes a dizer a Morgan para ficar em linha enquanto ela fazia uma outra chamada a partir de seu celular. Mas Morgan desligou.
Riley ficou olhando para o espaço por um momento. Ouviu Jilly perguntar, "Mamãe, tem alguma coisa errada?"
Riley olhou e viu que Jilly parecia profundamente preocupada.
Disse, "Nada para se preocupar, querida."
Então ela pegou o celular e ligou para a polícia em Atlanta.
*
O policial Jared Ruhl sentia-se entediado e inquieto no banco do passageiro ao lado do sargento Dylan Petrie. Era noite e eles estavam patrulhando um dos bairros mais ricos de Atlanta – uma área onde raramente havia atividade criminosa. Ruhl era novo na polícia e estava ansioso por um pouco de ação.
Ruhl tinha todo o respeito do mundo por seu parceiro e mentor afro-americano. O sargento Petrie estava na polícia há vinte anos ou mais, e era um dos policiais mais experientes da região.
Então, por que estamos nesse ritmo? Ruhl se perguntou.
Como se em resposta à sua pergunta não verbalizada, uma voz feminina insinuou-se no rádio…
"Quatro-Frank-Treze, ouve-me?"
Os sentidos de Ruhl se aguçaram ao ouvir a identificação de seu próprio veículo.
Petrie respondeu, "Ouvimos, fale."
A operadora hesitou, como se não acreditasse no que estava prestes a dizer.
Então disse, “Temos um possível um-oitenta-sete na casa dos Farrell. Vão para a cena.”
A boca de Ruhl se abriu e ele viu os olhos de Petrie se arregalarem de surpresa. Ruhl sabia que 187 era o código para um homicídio.
Na casa de Andrew Farrell? Ruhl se perguntou.
Não podia acreditar no que ouvia e Petrie parecia também surpreendido.
"Repita" Disse Petrie.
“Um possível 187 na casa dos Farrell. Podem ir lá?”
Ruhl viu Petrie piscar os olhos com perplexidade.
"Sim" Disse Petrie. "Quem é o suspeito?"
A operadora hesitou novamente, depois disse, “A senhora Farrell.”
Petrie ofegou em voz alta e meneou a cabeça.
"Uh … isso é uma piada?" Perguntou.
"Não é brincadeira."
"Quem é o meu RP?" Petrie perguntou.
O que isso significa? Ruhl perguntou a si mesmo.
Ah sim…
Isso significava, "Quem denunciou o crime?"
A operadora respondeu, “Um agente da UAC ligou de Phoenix, Arizona. Eu sei o quão estranho isso soa, mas…”
A operadora ficou em silêncio.
Petrie disse, "Código Três resposta?"
Ruhl sabia que Petrie estava perguntando se usaria luzes intermitentes e uma sirene.
A operadora perguntou, "A que distância estão do local?"
"Menos de um minuto" Disse Petrie.
“Então é melhor não dar nas vistas. Isso tudo é…”
Sua voz se apagou novamente. Ruhl adivinhou que estava preocupada em não chamarem muita atenção. O melhor era manter a mídia de fora o máximo de tempo possível em relação ao que estivesse realmente acontecendo nesse bairro luxuoso e privilegiado.
Finalmente, a operadora disse, "Verifiquem, ok?"
“Certo,” Disse Petrie. "Estamos a caminho."
Petrie carregou no acelerador e percorreram a rua tranquila.
Ruhl olhou espantado ao se aproximarem da mansão Farrell. Nunca tinha estado tão próximo do locale. A casa era enorme e parecia-lhe mais um country club do que a casa de alguém. O exterior estava cuidadosamente iluminado – para proteção, sem dúvida, mas também para mostrar seus arcos e colunas e grandes janelas.
Petrie estacionou o carro em frente da casa e desligou o motor. Ele e Ruhl saíram e foram para a imensa entrada da frente. Petrie tocou a campainha.
Depois de alguns momentos, um homem alto e magro abriu a porta. Ruhl deduziu pelo smoking que vestia e pela sua expressão austera que era o mordomo da família.
Pareceu surpreso ao ver os dois policiais – e nem um pouco satisfeito.
"Posso perguntar sobre o que é tudo isso?" Perguntou.
O mordomo não parecia ter nenhuma ideia de que poderia haver problemas dentro daquela mansão.
Petrie olhou para Ruhl, que percebeu o que seu mentor estava pensando…
Apenas um falso alarme.
Provavelmente uma brincadeira.
Petrie disse ao mordomo, "Podemos falar com o Sr. Farrell, por favor?"
O mordomo sorriu de maneira arrogante.
"Receio que isso seja impossível" Disse ele. "O patrão está dormindo e eu tenho ordens muito rigorosas…"
Petrie interrompeu, "Temos motivos para nos preocupar com sua segurança".
As sobrancelhas do mordomo se ergueram.
“De verdade?” Disse. "Já que insistem, vou ver se está bem. Vou tentar não acordá-lo. Garanto-lhe que reclamaria de forma bastante vociferante.”
Petrie não pediu permissão para ele e Ruhl seguirem o mordomo até a casa. O lugar era vasto por dentro, com fileiras de colunas de mármore que conduziam a uma escada de carpetes vermelhos com corrimões curvos e elegantes. Ruhl achava cada vez mais difícil acreditar que alguém pudesse morar ali. Parecia mais um set de filmagem.
Ruhl e Petrie seguiram o mordomo pelas escadas e atravessaram um corredor largo até um par de portas duplas.
"A suíte principal" Disse o mordomo. "Espere aqui um momento."
O mordomo transpôs as portas.
Então o ouviram soltar um grito de horror no interior.
Ruhl e Petrie abriram as portas até uma sala de estar e de lá para um enorme quarto.
O mordomo já tinha acendido as luzes. Os olhos de Ruhl quase doeram por um momento do brilho da enorme sala. Então seus olhos viram uma cama coberta de dossel. Como tudo o mais na casa, também era enorme, como algo saído de um filme. Mas, por maior que fosse, era diminuída pelo tamanho do resto do quarto.
Tudo no quarto principal era dourado e branco – exceto o sangue espalhado na cama.
CAPÍTULO TRÊS
O mordomo estava encostado na parede, olhando com uma expressão vítrea. O próprio Ruhl sentiu como se o ar tivesse sido arrancado de seus pulmões.
Ali estava o homem deitado na cama – o rico e famoso Andrew Farrell, morto e coberto de sangue. Ruhl o reconheceu de vê-lo na TV muitas vezes.
Ruhl nunca tinha visto um cadáver assassinado antes. Ele nunca esperou que a visão parecesse tão estranha e irreal.
O que tornou a cena especialmente bizarra foi a mulher sentada em uma cadeira estofada ao lado da cama. Ruhl a reconheceu também. Era Morgan Farrell – anteriormente Morgan Chartier, uma famosa modelo agora aposentada. O homem morto havia transformado o casamento em um evento de mídia e gostava de desfilar em público.
Ela estava usando um vestido fino e de aparência cara, manchado de sangue. Ficou ali imóvel, segurando uma grande faca. Sua lâmina estava ensanguentada e sua mão também.
"Merda" Murmurou Petrie com uma voz atordoada.
Então Petrie falou em seu microfone.
“Operadora, aqui é quatro-Frank-treze ligando da casa dos Farrell. Nós temos aqui um um-oitenta-sete. Envie três unidades, incluindo uma unidade de homicídio. Contate também o médico legista. É melhor dizer ao chefe Stiles para vir até aqui também.
Petrie ouviu a operadora no fone, depois pareceu pensar por um momento.
"Não, não faça disso um Código Três. Precisamos manter isso em silêncio o máximo de tempo possível.”
Durante essa troca, Ruhl não conseguia tirar os olhos da mulher. Ele a achava linda quando a vira na TV. Estranhamente, continuava lhe parecendo bonita naquele momento. Mesmo segurando uma faca ensanguentada na mão, ela parecia tão delicada e frágil quanto uma estatueta de porcelana.
Ela também estava imóvel como se fosse feita de porcelana – tão imóvel quanto o cadáver e, aparentemente, inconsciente de que alguém tinha entrado no quarto. Mesmo seus olhos não se moviam enquanto continuava olhando para a faca em sua mão.
Quando Ruhl seguiu Petrie em direção à mulher, ocorreu-lhe que a cena não mais o lembrava de um set de filmagem.
É mais como uma exposição em um museu de cera, Pensou.
Petrie gentilmente tocou a mulher no ombro e disse, “Sra. Farrell…”
A mulher não pareceu nem um pouco assustada quando olhou para ele.
Sorriu e disse, “Oh, olá. Eu me perguntava quando a polícia iria chegar.”
Petrie colocou um par de luvas de plástico. Ruhl fez o mesmo. Então Petrie, delicadamente, pegou a faca da mão da mulher e entregou a Ruhl que cuidadosamente empacotou a arma.
Enquanto faziam isso, Petrie disse à mulher, "Por favor, me diga o que aconteceu aqui".
A mulher soltou uma risada bastante musical.
“Bem, essa é uma pergunta boba. Eu matei o Andrew. Isso não é óbvio?”
Petrie se virou para olhar para Ruhl, como se perguntasse…
É óbvio?
Por um lado, não parecia haver qualquer outra explicação para essa cena bizarra. Por outro lado…
Ela parece tão fraca e indefesa, Pensou Ruhl.
Nem conseguia imaginá-la fazendo uma coisa dessas.
Petrie disse a Ruhl, “Vá falar com o mordomo. Descubra o que ele sabe.”
Enquanto Petrie examinava o corpo, Ruhl foi até o mordomo, que ainda estava agachado contra a parede.
Ruhl disse-lhe, "Senhor, você poderia me dizer o que aconteceu aqui?"
O mordomo abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu.
"Senhor" Repetiu Ruhl.
O mordomo apertou os olhos como se estivesse em profunda confusão. Disse: "Eu não sei. Você chegou e…”
Ficou em silêncio novamente.
Ruhl se perguntou…
Ele realmente não sabe de nada?
Talvez o mordomo estivesse fingindo seu choque e perplexidade.
Talvez ele fosse realmente o assassino.
A possibilidade lembrou Ruhl do velho clichê…
"O mordomo é o culpado."
A ideia podia até ser engraçada em diferentes circunstâncias.
Mas certamente não naquele momento.
Ruhl pensou rápido, tentando decidir que perguntas fazer ao homem.
Ele disse, "Tem mais alguém na casa?"
O mordomo respondeu com uma voz monótona, “Apenas as criadas internas. Seis ao todo, além de mim, três homens e três mulheres. Certamente você não acha…?”
Ruhl não sabia o que pensar, pelo menos não ainda.
Perguntou ao mordomo, “É possível que mais alguém esteja na casa em algum lugar? Um intruso, talvez?”
O mordomo abanou a cabeça.
"Não vejo como" Disse ele. "Nosso sistema de segurança é dos melhores."
Isso não é um não, Pensou Ruhl. De repente, ele se sentiu bastante alarmado.
Se o assassino era um intruso, ainda poderia estar em algum lugar da casa?
Ou poderia estar escapando naquele exato momento?
Então Ruhl ouviu Petrie falando no microfone, dando instruções a alguém sobre como encontrar o quarto na enorme mansão.
Poucos segundos depois, o quarto estava cheio de policiais. Entre eles estava o chefe Elmo Stiles, um homem volumoso e imponente. Ruhl também ficou surpreso ao ver o Procurador Distrital, Seth Musil.
O normalmente suave e polido PD parecia desalinhado e desorientado, como se tivesse acabado de sair da cama. Ruhl imaginou que o chefe havia entrado em contato com o Procurador, assim que ouvira as notícias, depois pegara-o e trouxera-o até ali.
O Procurador arquejou de horror pelo que viu e correu em direção à mulher.
"Morgan!" Disse.
"Olá, Seth" Disse a mulher, como se agradavelmente surpresa por sua chegada. Ruhl não ficou especialmente surpreso por Morgan Farrell e um político de alto escalão como o PD se conhecerem. A mulher ainda não parecia estar ciente de muita coisa que estava acontecendo ao seu redor.
Sorrindo, a mulher disse a Musil, “Bem, suponho que é óbvio o que aconteceu. E tenho certeza que você não está surpreso que…”
Musil interrompeu apressadamente.
“Não, Morgan. Não diga nada. Ainda não. Não até estarmos na presença de um advogado.”
O sargento Petrie já estava organizando as pessoas no quarto.
Disse ao mordomo, "Indique-lhes a disposição da casa, cada canto e recanto".
Então disse aos policiais, “Quero que procurem algum intruso ou qualquer sinal de invasão. E falem com a equipa de criados, certifiquem-se de que têm álibis para as últimas horas.”
Os policiais se reuniram em volta do mordomo que agora estava de pé. O mordomo lhes deu instruções e os policiais saíram do quarto. Sem saber mais o que fazer, Ruhl ficou ao lado do sargento Petrie, olhando para a cena horrenda. O Procurador agora estava de pé como que protegendo a mulher sorridente e salpicada de sangue.
Ruhl ainda estava lutando para aceitar o que estava vendo. Lembrou a si mesmo que esse era seu primeiro homicídio. Se perguntou…
Alguma vez estarei envolvido em um tão estranho quanto esse?
Também esperava que os policiais que procuravam na casa não retornassem de mãos vazias. Talvez eles voltassem com o verdadeiro culpado. Ruhl não suportava a idéia de que essa mulher delicada e adorável fosse realmente capaz de matar.
Longos minutos se passaram antes que os policiais e o mordomo retornassem.
Disseram que não tinham encontrado nenhum intruso ou qualquer sinal de que alguém invadira a casa. Encontraram o pessoal que estava no local dormindo em suas camas e não tinham motivos para pensar que algum deles fosse responsável.
O médico legista e sua equipe chegaram e começaram a tratar do corpo. O enorme quarto estava muito cheio agora. Finalmente, a mulher manchada de sangue parecia estar ciente da agitação em seu redor.
Ela se levantou da cadeira e disse ao mordomo, “Maurice, onde estão suas maneiras? Pergunte a essas pessoas boas se gostariam de comer ou beber alguma coisa.”
Petrie caminhou em direção a ela, pegando suas algemas.
Ele lhe disse, "Isso é muito gentil da sua parte, mas não será necessário."
Então, num tom extremamente educado e atencioso, começou a ler os direitos de Morgan Farrell.
CAPÍTULO QUATRO
Riley não pôde deixar de se preocupar enquanto a sessão do tribunal se desenrolava.
Até ao momento, tudo parecia estar a correr bem. A própria Riley tinha testemunhado sobre o lar que estava a criar para Jilly, e Bonnie e Arnold Flaxman tinham testemunhado sobre a necessidade absoluta de Jilly ter uma família estável.
Mesmo assim, Riley sentiu-se desconfortável com o pai de Jilly, Albert Scarlatti.
Nunca tinha visto o homem antes daquele dia. A julgar pelo que Jilly lhe contara sobre ele, imaginara um ogre grotesco.
Mas a sua aparência real a surpreendeu.
Seu outrora cabelo preto estava fortemente manchado de cinza e suas feições escuras estavam, como ela esperava, devastadas por anos de alcoolismo. Mesmo assim, parecia perfeitamente sóbrio naquele momento. Estava bem vestido, mas não de forma dispendiosa, e era gentil e agradável com todos com quem conversava.
Riley também se perguntou sobre a mulher sentada ao lado de Scarlatti segurando a sua mão. Também parecia ter vivido uma vida difícil. De outra forma, sua expressão era difícil para Riley decifrar.
Quem é ela? Riley se perguntou.
Tudo o que Riley sabia sobre a esposa de Scarlatti e a mãe de Jilly era que tinha desaparecido há muitos anos atrás. Scarlatti costumava dizer a Jilly que provavelmente morrera.
Não poderia ser ela depois de todos esses anos. Jilly não mostrara nenhum sinal de conhecer essa mulher. Então quem era ela?
Agora era hora de Jilly falar.
Riley apertou a mão de Jilly tranquilizadoramente e a jovem adolescente se preparou para testemunhar.
Jilly parecia pequena na grande cadeira de testemunhas. Seus olhos percorreram nervosamente o tribunal, olhando para o juiz, depois estabelecendo contato visual com o pai.
O homem sorriu com o que parecia ser uma sincera afeição, mas Jilly rapidamente desviou o olhar.
O advogado de Riley, Delbert Kaul, perguntou a Jilly como ela se sentia a respeito da adoção.
Riley podia ver todo o corpo de Jilly tremer de emoção.
"É o que eu mais quero na vida" Disse Jilly com uma voz instável. "Eu tenho sido tão, tão feliz vivendo com a minha mamãe…"
"Você quer dizer com a senhora Paige" Kaul disse, gentilmente interrompendo.
"Bem, ela é minha mamãe agora e é como eu a chamo. E a filha dela, April, é minha irmã mais velha. Até começar a viver com elas, não fazia ideia do que seria – ter uma família de verdade para me amar e cuidar de mim.”
Jilly parecia estar contendo as lágrimas heroicamente.
Riley não tinha a certeza de que seria capaz de fazer o mesmo.
Então Kaul perguntou, "Você pode contar ao juiz um pouco sobre como era viver com seu pai?"
Jilly olhou para o pai.
Então olhou para o juiz e disse, "Foi horrível".
Disse ao tribunal o que dissera a Riley no dia anterior – como seu pai a trancara em um armário durante dias. Riley estremeceu quando ouviu a história mais uma vez. A maioria das pessoas no tribunal parecia profundamente afetada com aquele relato. Até o pai de Jilly baixou a cabeça.
Quando terminou, Jilly estava lavadae em lágrimas.
“Até minha nova mãe entrar na minha vida, todos que eu amava acabaram por me deixar. Não suportavam viver com o pai porque ele era tão ruim para eles. Minha mãe, meu irmão mais velho – até meu cachorrinho, Darby, fugiu.
A garganta de Riley se contraiu. Ela se lembrou de Jilly chorando quando falara do cachorrimho que tinha perdido há muitos meses atrás. Jilly ainda se preocupava com o que tinha acontecido com Darby.
"Por favor" Disse ela ao juiz. "Por favor, não me envie de volta para isso. Estou muito feliz com minha nova família. Não me leve para longe deles.”
Jilly então sentou-se novamente ao lado de Riley.
Riley apertou a mão dela e sussurrou, “Você esteve muito bem. Estou orgulhosa de você."
Jilly assentiu e enxugou as lágrimas.
Em seguida, o advogado de Riley, Delbert Kaul, apresentou ao juiz todos os documentos necessários para finalizar a adoção. Ele estava enfatizando especialmente o formulário de consentimento assinado pelo pai de Jilly.
Tanto quanto Riley poderia dizer, Kaul estava fazendo um trabalho razoavelmente completo com a apresentação. Mas sua voz e seus modos eram pouco inspiradores, e o juiz, um homem robusto e carrancudo, com olhos pequenos e redondos, não parecia nada impressionado.
Por um momento, a mente de Riley voltou ao telefonema bizarro que recebera no dia anterior de Morgan Farrell. Claro que Riley entrou em contato com a polícia em Atlanta imediatamente. Se o que a mulher dissera fosse verdade, então certamente ela já estaria sob custódia. Riley não pôde deixar de imaginar o que realmente acontecera.
Seria realmente possível que a frágil mulher que conhecera em Atlanta tivesse cometido um homicídio?
Não é hora de pensar em tudo isso, lembrou a si mesma.
Quando Kaul terminou sua apresentação, o advogado de Scarlatti se levantou.
Jolene Paget era uma mulher de trinta e poucos anos, cujos lábios pareciam ter um leve mas constante sorriso.
Ela disse ao advogado, "Meu cliente deseja contestar essa adoção".
O juiz assentiu e rosnou, “Eu sei que sim senhora Paget. É melhor que seu cliente tenha um bom motivo para querer mudar sua própria decisão.”
Riley imediatamente percebeu que, ao contrário de seu próprio advogado, Paget não precisava de notas. Também ao contrário de Kaul, sua voz e comportamento exalavam autoconfiança.
Ela disse, “Sr. Scarlatti tem uma boa razão, Meritíssimo. Ele deu seu consentimento sob coação. Ele estava passando por um momento especialmente difícil e não tinha um emprego. E sim, ele estava bebendo naquela época. E estava deprimido.”
Paget acenou com a cabeça na direção de Brenda Fitch, que também estava sentada no tribunal, e acrescentou, “Ele foi vítima fácil da pressão do pessoal dos serviços sociais, especialmente dessa mulher. Brenda Fitch ameaçou acusá-lo de crimes e delitos inteiramente inventados.”
Brenda soltou um suspiro de indignação. Disse a Paget, "Isso não é verdade e você sabe disso."
O sorriso de Paget se alargou quando disse, "Meritíssimo, poderia impedir a senhora Fitch de interromper?"
"Por favor, silêncio, senhora Fitch" Disse o juiz.
Paget acrescentou, "Meu cliente também deseja acusar a senhora Paige de sequestro – com a Sra. Fitch como cúmplice".
Brenda soltou um gemido audível de desgosto, mas Riley se forçou a ficar quieta. Ela sabia que Paget iria seguir esse caminho.
O juiz disse, “Senhora Paget, não apresentou quaiquer provas de sequestro. Quanto às ameaças e coação que mencionou, não ofereceu nenhuma prova ou evidência de sua concretização. Não disse nada que me convencesse de que o consentimento inicial do seu cliente não deveria permanecer."
Então Albert Scarlatti levantou-se.
"Posso dizer algumas palavras em meu nome, Meritíssimo?" Implorou.
Quando o juiz assentiu, Riley ficou preocupada.
Scarlatti baixou a cabeça e falou em voz baixa e calma.
“O que Jilly lhe contou agora sobre o que eu fiz com ela… sei que parece horrível. E Jilly, sinto muito por isso. Mas a verdade é que não é exatamente assim que aconteceu.”
Riley teve que se impedir para não o interromper. Ela tinha certeza de que Jilly não mentira.
Albert Scarlatti riu um pouco tristemente. Um sorriso caloroso se espalhou por suas feições desgastadas.
“Jilly, com certeza você vai admitir que tem sido difícil de criar. Você pode ser um desafio, filhinha. Você tem um temperamento especial e às vezes fica completamente fora de controle, e eu não sabia o que fazer naquele dia. Do jeito que eu me lembro, eu estava simplesmente desesperado quando te coloquei naquele armário.”
Encolheu os ombros e continuou, “Mas não foi como você disse. Eu nunca teria feito você passar por algo assim por dias. Nem mesmo por algumas horas. Eu não estou dizendo que você não está sendo verdadeira, apenas que sua imaginação às vezes leva a melhor. E eu entendo isso.”
Então Scarlatti voltou sua atenção para os outros no tribunal.
Ele disse, “Muita coisa aconteceu desde que perdi minha pequena Jilly. Estive em reabilitação e frequento regularmente os AA, e não bebo há meses. Espero nunca mais beber para o resto da minha vida. E tenho um trabalho estável – nada realmente impressionante, apenas trabalho de zeladoria, mas é um bom trabalho, e posso lhe dar uma referência do meu patrão em como me estou saindo muito bem.”
Então ele tocou no ombro da misteriosa mulher que estava sentado a seu lado.
“Mas houve outra grande mudança na minha vida. Eu conheci Barbara Long, a mulher mais maravilhosa do mundo, e ela é a melhor coisa que já me aconteceu. Estamos noivos e vamos casar no final deste mês.”
A mulher sorriu para ele com olhos brilhantes.
Scarlatti falou diretamente para Jilly naquele momento.
“Isso mesmo, Jilly. Não há mais famílias monoparentais. Você vai ter um pai e uma mãe – uma mãe de verdade depois de todos esses anos.”
Riley sentiu como se uma faca tivesse sido cravada em seu peito.
Jilly acabou de dizer que sou a mãe dela de verdade, Pensou. Mas o que poderia dizer sobre essa falha monoparental? Estava divorciada de Ryan antes mesmo de encontrar Jilly.
Scarlatti então dirigiu sua atenção para Brenda Fitch.
Disse, “Senhora Fitch, minha advogada acabou de dizer algumas coisas bem difíceis sobre você. Eu só quero que saiba que eu não guardo ressentimentos. Você tem feito o seu trabalho e eu sei disso. Eu só quero que saiba o quanto eu mudei.”
Então olhou Riley diretamente nos olhos.
"Senhora Paige, eu não guardo ressentimentos contra você também. De fato, sou grato por tudo que fez para cuidar de Jilly enquanto eu estava tentando me recuperar. Eu sei que não deve ter sido fácil para você, sendo solteira e tudo. E com uma adolescente sua para cuidar.”
Riley abriu a boca para protestar, mas Albert continuou falando calorosamente. "Eu sei que você se importa com ela, e não precisa se preocupar. Eu serei um bom pai para Jilly a partir de agora. E eu quero que continue fazendo parte da vida de Jilly.”
Riley ficou chocada. Agora percebia por que sua advogada ameaçara acusá-la de sequestro.
É um clássico bom policial, policial ruim.
Jolene Paget se apresentara como uma advogada preparada para fazer qualquer coisa para ganhar seu caso. Limpou o caminho para Scarlatti ser o cara mais legal do mundo.
E ele fora muito convincente. Riley não pôde deixar de se perguntar…
Será que ele afinal é realmente um cara legal?
Estaria a passar realmente por um mau bocado?
Pior de tudo – estaria errada em tentar tirar-lhe Jilly? Será que estaria apenas a acrescentar um trauma desnecessário à vida de Jilly?
Finalmente Scarlatti olhou suplicante para o juiz.
“Meritíssimo, peço-lhe, por favor, deixe-me ter minha filha de volta. Ela é minha carne e sangue. Não vai se arrepender da sua decisão. Eu prometo."
Uma lágrima escorreu por sua bochecha quando se sentou de novo.
Sua advogada se levantou, parecendo mais orgulhosa e confiante do que nunca.
Falou com Jilly com um tom de falsa sinceridade.
“Jilly, espero que entenda que seu pai quer apenas o que é melhor para você. Eu sei que teve problemas com ele no passado, mas me diga a verdade agora – isso não é um padrão em você?”
Jilly pareceu intrigada.
Paget continuou, "Eu tenho certeza que você não vai negar que fugiu de seu pai e foi assim que Riley Paige encontrou você."
Jilly disse, "Eu sei, mas isso foi porque…"
Paget interrompeu, apontando para os Flaxman.
"E você também não fugiu desse belo casal quando eles te levaram?"
Os olhos de Jilly se arregalaram e assentiu silenciosamente.
Riley engoliu em seco. Ela sabia o que Paget ia dizer em seguida.
"E não fugiu da senhora Paige e sua família?"
Jilly assentiu e baixou a cabeça miseravelmente.
E é claro que era verdade. Riley lembrou muito bem o quão difícil tinha sido para Jilly se adaptar à vida em sua casa e, especialmente, como lutou com sentimentos de indignidade. Em um momento especialmente fraco, Jilly correu para outra parada de caminhões, pensando que vender seu corpo era a única coisa para que servia.
"Eu não sou ninguém" Jilly disse a Riley quando a polícia a trouxe de volta.
A advogada fizera sua pesquisa bem, mas Jilly mudara muito desde então. Riley tinha a certeza de que aqueles dias de insegurança tinham acabado.
Ainda mantendo um tom de profunda preocupação, Paget disse a Jilly…
“Cedo ou tarde, querida, você precisa aceitar a ajuda de pessoas que se preocupam com você. E agora, seu pai quer lhe dar uma vida mais do que qualquer outra coisa. Acho que você lhe devia dar uma chance de fazer isso.”
Voltando-se para o juiz, Paget acrescentou, "Meritíssimo, deixo o assunto para sua decisão".
Pela primeira vez, o juiz pareceu genuinamente comovido.
Ele disse, “Sr. Scarlatti, seus comentários eloquentes me forçaram a reconsiderar minha decisão.
Riley ofegou em voz alta.
Isso está realmente acontecendo?
O juiz continuou, “O estatuto do Arizona é muito claro em relação à separação. A primeira consideração é a aptidão dos pais. A segunda consideração é o melhor interesse da criança. Somente se o pai for considerado inapto pode a segunda consideração ser posta em questão.”
Ele parou para pensar por um momento.
"A incapacidade do Sr. Scarlatti não foi estabelecida aqui hoje. Acho que, pelo contrário, ele parece estar fazendo tudo o que pode para se tornar um excelente pai”.
Parecendo alarmado, Kaul levantou-se e falou agudamente.
“Meritíssimo, eu me oponho. Sr. Scarlatti desistiu de seus direitos voluntariamente, e isso é completamente inesperado. Não havia qualquer motivo para trazer provas para estabelecer sua inaptidão”.
O juiz falou com uma nota de finalização e bateu o martelo.
“Então não tenho razão para considerar mais nada. A custódia é concedida ao pai, com efeito imediato.”
Riley não pôde deixar escapar um grito de desespero.
Isso é real, Pensou.
Eu estou perdendo Jilly.
CAPÍTULO CINCO
Riley estava quase hiperventilando enquanto tentava entender o que estava acontecendo.
Certamente eu posso contestar essa decisão, Pensou.
A agência e o advogado poderiam facilmente reunir alguma evidência sólida do comportamento abusivo de Scarlatti.
Mas o que aconteceria nesse meio tempo?
Jilly nunca ficaria com o pai. Ela fugiria novamente – e desta vez poderia realmente desaparecer.
Riley podia nunca mais ver sua filha mais nova.
Ainda sentado, o juiz disse a Jilly, “Mocinha, acho que deveria ir ter com seu pai agora”.
Para surpresa de Riley, Jilly parecia totalmente calma.
Ela apertou a mão de Riley e sussurrou…
"Não se preocupe, mamãe. Vai correr tudo bem.”
Caminhou até onde Scarlatti e sua noiva estavam agora de pé. O sorriso de Albert Scarlatti parecia caloroso e acolhedor.
Assim que o pai estendeu os braços para abraçá-la, Jilly disse, "Tenho algo a dizer para você".
Uma expressão curiosa atravessou o rosto de Scarlatti.
Jilly disse, "Você matou meu irmão".
“O q-quê?” Scarlatti gaguejou. “Não, isso não é verdade e você sabe disso. Seu irmão Norbert fugiu. Eu já te disse muitas vezes…”
Jilly o interrompeu.
“Não, eu não estou falando do meu irmão mais velho. Eu nem me lembro dele. Estou falando do meu irmãozinho.”
"Mas você nunca teve um…"
“Não, eu nunca tive um irmãozinho. Porque você o matou.”
A boca de Scarlatti se abriu e seu rosto ficou vermelho.
Com a voz tremendo de raiva, Jilly continuou, “Parece que você acha que não me lembro da minha mãe, porque eu era muito pequena quando ela foi embora. Mas eu lembro. Eu lembro que ela estava grávida. Eu lembro de você gritando com ela. Você bateu no estômago dela. Eu vi você fazer isso muitas vezes. Então ela ficou doente. E depois já não estava mais grávida. Ela me disse que era um menino e ele seria meu irmão mais novo, mas você o matou.”
Riley ficou desconcertada com o que Jilly estava dizendo. Ela não tinha dúvidas de que cada palavra era verdadeira.
Eu gostaria que ela me tivesse contado, Pensou.
Mas é claro que Jilly deve ter achado muito doloroso falar sobre isso até esse momento.
Jilly agora estava chorando. Ela disse, “Mamãe chorou muito quando me contou. Ela disse que tinha que ir embora ou você a mataria mais cedo ou mais tarde. E ela foi embora. E nunca mais a vi.”
O rosto de Scarlatti estava reduzido a uma expressão feia. Riley podia ver que ele estava lutando com sua raiva.
Ele rosnou, "Garota, você não sabe do que está falando. Você está imaginando tudo.”
Jilly disse, “Ela estava usando seu lindo vestido azul naquele dia. Aquele que mais gostava. Veja, eu lembro. Eu vi tudo.”
As palavras de Jilly eram uma torrente desesperada.
“Você mata tudo e todos, mais cedo ou mais tarde. Você não pode evitar. Eu aposto que até mentiu quando me disse que meu cachorrinho tinha fugido. Você provavelmente matou Darby também.”
Agora Scarlatti estava tremendo todo.
As palavras de Jilly continuavam fluindo, “Minha mãe fez a coisa certa fugindo e espero que esteja feliz, onde quer que esteja. E se ela está morta, bem, está melhor do que estaria com você.”
Scarlatti soltou um rugido de fúria. "Cale a boca, sua cabra!"
Ele agarrou Jilly pelo ombro com uma mão e lhe deu um tapa no rosto com a outra.
Jilly gritou e tentou se afastar dele.
Riley levantou-se indo na direção de Scarlatti. Antes de chegar junto a ele, dois seguranças agarraram o homem pelos braços.
Jilly se libertou e correu para Riley.
O juiz bateu o martelo e tudo ficou silencioso. Olhou ao redor do tribunal como se não pudesse acreditar no que acabara de acontecer.
Por um momento, limitou-se a respirar pesadamente.
Então olhou para Riley e disse, “Senhora Paige, penso que lhe devo um pedido de desculpas. Tomei a decisão errada agora e a anulo.”
Olhou para Scarlatti e acrescentou, “Volte a falar e coloco-o na prisão.”
Olhando para os outros na sala, o juiz disse com firmeza, “Não haverá mais audiências. Esta é a minha determinação final sobre essa adoção. A custódia é concedida à mãe adotiva”.
Ele bateu novamente o martelo, se levantou e saiu do tribunal sem dizer mais nada.
Riley se virou e olhou para Scarlatti. Seus olhos escuros estavam furiosos, mas os dois seguranças ainda estavam de pé ao lado dele. Ele olhou para sua noiva, que parecia horrorizada. Então Scarlatti baixou a cabeça e ficou ali em silêncio.
Jilly se jogou nos braços de Riley, soluçando.
Riley a abraçou e disse, “Você é uma garota corajosa, Jilly. Eu nunca te vou deixar, não importa o que aconteça. Pode contar com isso."
*
A bochecha de Jilly ainda estava ardendo enquanto Riley discutia alguns detalhes com Brenda e o advogado. Mas parecia um bom tipo de dor e ela sabia que logo iria embora. Ela dissera a verdade sobre algo que guardra para si mesma por muito tempo. Como resultado, estava livre de seu pai para sempre.
Riley, sua nova mãe, levou-a de volta ao quarto de hotel, onde fizeram as malas rapidamente e dirigiram para o aeroporto. Chegaram com tempo de sobra para o voo de volta para casa e checaram suas malas para que não tivessem que carregá-las. Depois foram juntas ao banheiro.
Jilly ficou olhando no espelho enquanto sua mãe estava fazendo suas necessidades.
Um ligeiro hematoma estava se formando na parte lateral de seu rosto, onde o pai a atingira. Mas tudo ficaria bem agora.
Seu pai nunca mais poderia machucá-la. E tudo porque ela contara finalmente a verdade sobre seu irmão perdido. Só fora preciso isso para transformar tudo em volta.
Ela sorriu um pouco quando se lembrou da mãe dizendo para ela…
"Você é uma garota corajosa, Jilly."
Sim, pensou Jilly. Eu acho que sou muito corajosa.
CAPÍTULO SEIS
Quando Riley saiu do banheiro, não viu Jilly em lado nenhum.
A primeira coisa que sentiu foi um lampejo de raiva.
Ela se lembrava de ter dito claramente a Jilly…
“Espere do lado de fora da porta. Não vá a lugar nenhum.”
E agora não a via.
Aquela garota, Pensou Riley.
Não estava preocupada em perder o voo. Tinham muito tempo antes de embarcare. Mas esperava fazer as coisas com calma depois de um dia tão difícil. Planejou que passassem pela segurança, encontrassem seu portão de embarque e depois um bom lugar para comer.
Riley suspirou com desânimo.
Mesmo depois das ações corajosas de Jilly no tribunal, Riley não pôde deixar de se dececionar com essa nova demonstração de imaturidade.
Ela sabia que se fosse procurar por Jilly no grande terminal, provavelmente se desencontrariam outra vez. Procurou um lugar para sentar e esperar que Jilly voltasse, o que certamente faria mais cedo ou mais tarde.
Mas enquanto Riley olhava ao redor do grande terminal, teve um vislumbre de Jilly passando por uma das portas de vidro que levavam ao exterior.
Ou pelo menos ela achava que era Jilly – era difícil ter a certeza de onde Riley estava.
E quem era aquela mulher com quem a garota parecia estar?
Parecia Barbara Long, a noiva de Albert Scarlatti.
Mas as duas pessoas desapareceram rapidamente entre os viajantes que circulavam do lado de fora.
Riley sentiu um arrepio de apreensão. Seus olhos estavam a enganando?
Não, ela agora tinha certeza do que tinha visto.
Mas o que estava acontecendo? Por que Jilly iria a algum lugar com aquela mulher?
Riley levantou-se. Ela sabia que não havia tempo para entender aquilo. Andando rapidamente, instintivamente tocou na arma que usava em seu coldre de ombro.
Foi parada por um segurança uniformizado que se colocou na frente dela.
Ele falou com uma voz calma e profissional. "Você está sacando uma arma, minha senhora?"
Riley soltou um gemido de frustração.
Disse, "Não tenho tempo para isso."
Poderia dizer pela expressão do segurança que só confirmou sua suspeita.
Ele sacou sua própria arma e se aproximou dela. Pelo canto do olho, Riley viu que outro segurança tinha visto a atividade e também estava se aproximando.
"Deixe-me passar" Disse Riley, mostrando as duas mãos. "Eu sou uma agente do FBI."
O segurança com a arma não respondeu. Riley calculou que ele não acreditava nela. E ela sabia que ele fora treinado para não acreditar nela. Estava apenas fazendo o seu trabalho.
O segundo segurança parecia prestes a abordá-la.
Riley estava perdendo tempo precioso. Dado seu treinamento superior, calculou que provavelmente poderia desarmar o segurança com a arma antes que ele pudesse disparar. Mas a última coisa que ela precisava agora era entrar em um desentendimento desnecessário com um par de seguranças bem-intencionados.
Forçando-se a ficar parada, ela disse, "Olhe, deixe-me mostrar-lhe minha identidade".
Os dois seguranças se entreolharam cautelosamente.
"OK" Disse o segurança com a arma. "Mas devagar."
Riley cuidadosamente retirou seu distintivo e mostrou para eles.
Suas bocas se abriram.
"Estou com pressa" Disse Riley.
O segurança à frente dela assentiu e guardou sua arma no coldre.
Grata, ela correu pelo terminal e correu pelas portas de vidro para o lado de fora.
Riley olhou ao redor. Nem Jilly, nem a mulher se avistavam.
Mas então viu o rosto da filha na janela traseira de um SUV. Jilly pareceu alarmada e suas mãos pressionavam o vidro.
Pior ainda, o veículo estava começando a se afastar.
Riley começou a correr desesperadamente.
Felizmente, o SUV parou. Um veículo à frente dele parou para os pedestres e o SUV ficou encurralado atrás dele.
Riley chegou ao lado do motorista antes que o SUV pudesse se afastar novamente.
E lá estava Albert Scarlatti no banco do motorista.
Ela pegou a arma e apontou pela janela, diretamente para a cabeça dele.
"Acabou, Scarlatti" Gritou.
Mas antes que ela percebesse, Scarlatti abriu a porta, batendo nela. A arma caiu de sua mão e ficou no chão.
Riley estava furiosa agora – não apenas com Scarlatti, mas com si mesma por julgar mal a distância entre ela e a porta. Pela primeira vez, deixou o pânico apoderar-se de si.
Mas recuperou sua audácia em uma fração de segundo.
Este homem não ia fugir com Jilly.
Antes que Scarlatti pudesse fechar a porta de novo, Riley enfiou o braço dentro para bloqueá-lo. Embora a porta batesse em seu braço dolorosamente, não pôde fechar.
Riley abriu a porta e viu que Scarlatti não se dera ao trabalho de apertar o cinto de segurança.
Ela agarrou-o pelo braço e o arrastou, amaldiçoando e lutando, para fora do carro.
Ele era um homem grande e mais forte do que ela esperava. Ele se soltou dela e levantou o punho para dar um soco no seu rosto. Mas Riley foi mais rápida. Ela bateu com força no plexo solar e ouviu o ar expelido de seus pulmões quando ele se curvou para a frente. Então ela bateu na parte de trás da cabeça dele.
Ele caiu de cara no chão.
Riley pegou sua arma e a colocou de volta em seu coldre.
Por essa altura, vários seguranças já estavam à sua volta. Felizmente, um deles era o homem que ela enfrentara dentro do terminal.
"Tudo bem" Gritou o homem para os outros seguranças. "Ela é do FBI."
Os seguranças preocupados obedientemente mantiveram a distância.
Agora Riley ouviu Jilly gritar de dentro do carro…
"Mamãe! Abra atrás!”
Quando Riley se aproximou do veículo, viu que a mulher, Barbara Long, estava sentada no banco do passageiro, parecendo apavorada.
Sem uma palavra, Riley tocou o botão de desbloqueio que controlava todas as portas.
Jilly saiu do carro.
Barbara Long abriu a porta do seu lado, olhando como se esperasse escapar. Mas um dos seguranças a deteve antes que ela pudesse se esgueirar.
Parecendo totalmente derrotado, Scarlatti tentava erguer-se.
Riley se perguntou…
O que devo fazer com esse cara? Prendê-lo? E ela?
Parecia uma perda de tempo e energia. Além disso, ela e Jilly podiam ficar presas ali em Phoenix durante dias para apresentar queixa contra ele.
Enquanto tentava se decidir, ouviu a voz de Jilly atrás dela…
"Mamãe, olha!"
Riley se virou e viu Jilly segurando um pequeno cão de orelhas grandes em seus braços.
"Você poderia deixar esse ex-pai ir" Disse Jilly, com um sorriso travesso. “Afinal, ele trouxe meu cachorro de volta. Não foi legal?”
"Isso…" Riley balbuciou espantada, tentando lembrar o nome do filhote de cachorro que Jilly tinha falado.
"Este é o Darby" Disse Jilly com orgulho. "Agora pode ir para casa com a gente."
Riley hesitou por um longo momento, então sentiu seu rosto se abrir em um sorriso.
Olhou para os guardas e disse, “Lide com esse cara como quiser. E com a namorada dele também. Minha filha e eu temos um avião para pegar.”
Riley levou Jilly e o cachorro para longe dos seguranças perplexos.
"Vamos" Disse ela para Jilly. “Temos que encontrar uma transportadora de animais de estimação. E explicar isso para a companhia aérea.”
CAPÍTULO SETE
Quando seu avião aterrou em DC, Riley estava sentada com Jilly aconchegada em seu ombro, cochilando. Até o cachorrinho, nervoso e chorão no início do vôo, se acomodara rapidamente. Darby estava enrolado e dormindo em silêncio na transportadora que compraram apressadamente da companhia aérea. Jilly explicou a Riley que Barbara Long a abordara do lado de fora do banheiro e a convencera a ir com ela para pegar Darby, alegando que odiava cachorros e queria que Jilly ficasse com ele. Quando chegou ao carro, Barbara empurrou-a para dentro e trancou as portas, e arrancaram.
Agora que toda a provação acabara, Riley se viu pensando novamente sobre aquele telefonema estranho de Morgan Farrell na noite passada…
"Eu matei o filho da mãe" Dissera Morgan.
Riley ligou para a polícia de Atlanta imediatamente, mas não tinha notícias desde então e não teve tempo de checar e descobrir o que tinha acontecido.
Ela se perguntou – Estaria Morgan a dizer a verdade ou Riley tinha mandado a polícia a um alarme falso?
Morgan estava agora sob custódia?
Toda a ideia da mulher de aparência frágil matando uma pessoa ainda parecia muito difícil de acreditar para Riley.
Mas Morgan tinha sido muito insistente.
Riley lembrou-se dela dizendo…
"Eu estou olhando para o corpo dele deitado na cama, e ele tem ferimentos de faca, e sangrou muito."
Riley sabia muito bem que mesmo as pessoas mais amigáveis e improváveis poderiam ser levadas a extremos violentos. Isso geralmente acontecia por causa de alguma reviravolta em sua própria constituição, algo reprimido e oculto que explodia sob circunstâncias extremas, levando-os a cometer atos aparentemente desumanos.
Morgan também disse a ela, "Eu tenho sido bastante drogada ultimamente".
Talvez Morgan tivesse apenas fantasiado ou alucinado a coisa toda.
Riley lembrou a si mesma…
O que aconteceu, não é da minha conta.
Era hora de se concentrar em sua própria família, que agora incluía duas filhas – e para surpresa de Riley, um cachorro.
E não era hora de voltar ao trabalho?
Mas Riley não pôde deixar de pensar que depois dos dramas de tribunais e aeroportos daquele dia, talvez merecesse um bom descanso. Não deveria tirar mais um dia de folga antes de voltar para Quantico?
Riley suspirou quando percebeu…
Provavelmente não.
Seu trabalho era importante para ela. Ela pensou que poderia ser importante para o mundo em geral. Mas então, pensar dessa maneira a preocupava. Que tipo de mãe trabalhava todos os dias perseguindo os monstros mais cruéis, às vezes encontrando mais do que um pouco de monstro em si mesma no processo?
Ela sabia que às vezes não conseguia evitar levar seu trabalho desagradável para casa, às vezes até da pior maneira possível. Seus casos algumas vezes colocavam a vida de pessoas que ela amava em perigo.
Mas é o que eu faço, Pensou.
E no fundo, ela sabia que era um bom trabalho que precisava ser feito. De alguma forma, ela devia às filhas continuar fazendo isso – não apenas para protegê-las dos monstros, mas também para mostrar como os monstros podiam ser derrotados.
Ela precisava continuar sendo um exemplo para elas.
É melhor assim, Pensou.
Quando o avião parou na pista, Riley deu uma pequena sacudida em Jilly.
"Acorde, dorminhoca" Disse ela. "Chegámos."
Jilly resmungou um pouco e depois seu rosto se abriu em um sorriso quando viu o cachorro. Darby tinha acabado de acordar e estava olhando para Jilly e abanando a cauda alegremente.
Então Jilly olhou para Riley com alegria em seus olhos.
"Nós conseguimos mesmo, não é mamãe?" Disse. "Nós ganhamos."
Riley abraçou Jilly com força e disse, “Claro que sim, querida. Você é realmente e verdadeiramente minha filha agora, e eu sou sua mãe. E nada vai mudar isso.”
*
Quando Riley, Jilly e o cachorro chegaram a sua casa, April estava esperando por eles bem na porta. Lá dentro estavam Blaine, o namorado divorciado de Riley e sua filha de quinze anos, Crystal, que também era a melhor amiga de April. A governanta guatemalteca da família, Gabriela, ficou observando por perto.
Riley e Jilly tinham relatado suas boas novas de Phoenix e tinham ligado novamente quando aterraram e estavam a caminho de casa, mas Riley não mencionara o cachorinho. Estavam todos lá para dar as boas-vindas a Jilly, mas depois de um momento, April se inclinou para olhar a transportadora que Riley tinha colocado no chão.
"O que é isso?" Perguntou.
Jilly apenas riu.
"É algo vivo" Disse Crystal.
Jilly abriu o topo da transportadora e lá estava Darby, com os olhos arregalados e um pouco preocupado com todos os rostos que o cercavam.
"Meu Deus, meu Deus, meu Deus!" Cristal gritou.
"Nós temos um cachorro!" April gritou. "Nós temos um cachorro!"
Riley riu ao lembrar como April parecia calma quando tinham conversado na noite anterior. Agora toda aquela maturidade adulta desaparecera de repente e April agia como uma menininha novamente. Era maravilhoso de ver.
Jilly tirou Darby da transportadora. Não demorou muito para o cachorrinho começar a aproveitar toda a atenção.
Enquanto as garotas continuavam se agitando ruidosamente sobre o cachorro, Blaine perguntou a Riley, “Como correu? Está tudo realmente resolvido?”
"Sim" Disse Riley, sorrindo. "Acabou mesmo. Jilly é legalmente minha.”
Todo mundo estava muito animado com o cachorro para falar sobre a adoção no momento.
"Qual é o nome dela?" April disse, segurando o cachorro.
"Darby" Disse Jilly a April.
"Onde você conseguiu ela?" Crystal perguntou.
Riley riu e disse, “Bem, isso é uma história e tanto. Nos dê alguns minutos para nos acomodarmos antes de contar.”
"De que raça é ela?" Perguntou April.
"Parte Chihuahua, acho" Disse Jilly.
Gabriela tirou o cachorro das mãos de April e examinou-a com cuidado.
"Sim, um pouco de Chihuahua, e tem outros tipos de cachorro nela" Disse a mulher corpulenta. "Qual é a palavra em Inglês para uma mistura de cães?"
"Um vira-lata" Disse Blaine.
Gabriela assentiu sabiamente e disse, “Sim, você tem um verdadeiro vira-lata aqui – auténtico, a coisa real. Um vira-lata é o melhor tipo de cachorro. Este ainda tem um pouco a crescer, mas vai ficar bem pequena. ¡Bienvenidos! Darby ¡Nuestra casa es tuya también! Esta é a sua casa também!”
Ela entregou o cachorrinho a Jilly e disse, “Ela precisará de um pouco de água agora e comida quando tudo se acalmar. Tenho algumas sobras de frango que podemos lhe dar mais tarde, mas teremos que comprar comida de cachorro de verdade em breve.”
Seguindo as instruções de Gabriela sobre como montar um canto para Darby, as meninas correram para o quarto de Jilly para arrumar uma cama e colocar jornais velhos para o caso de ela precisar ir ao banheiro durante a noite.
Enquanto isso, Gabriela colocava comida na mesa – um delicioso prato guatemalteco chamado pollo encebollado, frango com molho de cebola. Logo todos se sentaram para comer.
Ele próprio chef e dono de restaurante, Blaine elogiou a refeição e perguntou a Gabriela tudo sobre o prato. Então a conversa se voltou para tudo o que aconteceu em Phoenix. Jilly insistiu em contar toda a história. Blaine, Crystal, April e Gabriela estavam todos de boca aberta enquanto ouviam falar da cena selvagem no tribunal e depois da ainda mais selvagem aventura no aeroporto.
E, claro, todos ficaram encantados ao ouvir falar sobre o novo cão que tinha entrado em suas vidas.
Somos uma família agora, Pensou Riley. E é ótimo estar em casa.
Também seria ótimo voltar a trabalhar amanhã.
Após a sobremesa, Blaine e Crystal foram para casa, e April e Jilly foram para a cozinha para alimentar Darby. Riley serviu-se de uma bebida e sentou-se na sala de estar.
Ela se sentiu relaxando mais e mais. Realmente tinha sido um dia louco, mas agora tinha terminado.
O telefone dela tocou e viu que a ligação era de Atlanta.
Riley sentiu um choque. Poderia ser Morgan novamente? Quem mais estaria ligando de Atlanta?
Pegou o telefone e ouviu a voz de um homem. “Agente Paige? Meu nome é Jared Ruhl e sou policial aqui em Atlanta. Consegui seu número no quadro telefônico de Quantico.”
"O que posso fazer por você, policial Ruhl?" Perguntou Riley.
Com uma voz hesitante, Ruhl disse, “Bem, não tenho certeza, mas… acho que você sabe que prendemos uma mulher pelo assassinato de Andrew Farrell na noite passada. Era sua esposa, Morgan. Na verdade, você não foi a pessoa que ligou?”
Riley estava se sentindo nervosa agora.
"Fui" Disse.
"Eu também ouvi que Morgan Farrell ligou para você logo após o assassinato, antes de ligar para qualquer outra pessoa."
"É verdade."
Um silêncio caiu. Riley sentiu que Ruhl estava lutando com o que queria dizer.
Finalmente disse, "Agente Paige, o que sabe sobre Morgan Farrell?"
Riley olhou com preocupação. Disse: "Policial Ruhl, não tenho certeza se é apropriado comentar. Eu realmente não sei nada sobre o que aconteceu e não é um caso do FBI.”
"Compreendo. Desculpe, acho que não deveria ter ligado…”
Sua voz sumiu.
Então ele acrescentou, “Mas Agente Paige, eu não acho que Morgan Farrell seja culpada. Que tenha assassinado o marido, quero dizer. Eu sou novo neste trabalho e sei que tenho muito a aprender… mas não me parece que ela seja do tipo que poderia fazer isso."
Riley ficou surpresa com aquelas palavras.
Ela certamente não se lembrava de Morgan Farrell como sendo o "tipo" que poderia cometer assassinato. Mas tinha que ter cuidado com o que dizia a Ruhl. Não tinha certeza se deveria estar tendo aquela conversa.
Perguntou a Ruhl, "Ela confessou?"
“Disseram-me que sim. E todo mundo acredita em sua confissão. Meu parceiro, o chefe de polícia, o PD – absolutamente todo mundo. Exceto eu. E eu não posso deixar de me perguntar, você…?”
Não terminou sua pergunta, mas Riley o que ficara por dizer.
Ele queria saber se Riley acreditava que Morgan era capaz de matar.
Lenta e cautelosamente, ela disse, “Policial Ruhl, agradeço sua preocupação. Mas realmente não é apropriado para mim especular sobre nada disso. Presumo que seja um caso local e, a menos que o FBI seja chamado para ajudar na investigação, bem… francamente, não é da minha conta.”
"Claro, minhas desculpas" Disse Ruhl educadamente. “Eu devia ter calculado. De qualquer forma, obrigado por atender minha ligação. Eu não vou incomodá-la novamente.”
Terminou a ligação e Riley ficou olhando para o telefone, tomando sua bebida.
As garotas passaram por ela, seguidas de perto pelo cachorrinho. Estavam todos a caminho da sala da família para brincar, e Darby parecia muito feliz.
Riley observou-os a passar com um profundo sentimento de satisfação. Mas então as lembranças de Morgan Farrell começaram a se intrometer em sua mente.
Ela e seu parceiro, Bill Jeffreys, tinham ido à mansão dos Farrell para entrevistar o marido de Morgan sobre a morte de seu próprio filho.
Lembrou-se de como Morgan parecia quase fraca demais para ficar de pé, agarrada ao corrimão da imensa escada enquanto o marido a exibia como se ela fosse algum tipo de troféu.
Ela se lembrou do olhar de terror vago nos olhos da mulher.
Ela também se lembrava do que Andrew Farrell havia dito sobre ela assim que ela ficou fora do alcance da voz…
"Uma modelo bastante famosa quando me casei com ela – talvez você a tenha visto em capas de revistas."
E em relação à juventude de Morgan, acrescentou…
“Uma madrasta nunca deve ser mais velha que os filhos mais velhos do marido. Tratei disso com todas as minhas esposas.”
Riley agora sentia o mesmo arrepio que sentira naquela época.
Morgan obviamente tinha sido nada mais do que uma bugiganga cara para Andrew Farrell se exibir em público – não um ser humano.
Finalmente, Riley lembrou o que acontecera com a anterior esposa de Andrew Farrell.
Ela tinha cometido suicídio.
Quando Riley tinha dado a Morgan seu cartão do FBI, estava preocupada que a mulher pudesse ter o mesmo destino – ou morrer sob outras circunstâncias sinistras. A última coisa que imaginara era que Morgan mataria seu marido ou qualquer outra pessoa.
Riley começou a sentir um formigueiro familiar – o tipo de formigueiro que sentia sempre que seus instintos lhe diziam que as coisas não eram o que pareciam.
Normalmente, esse formigueiro era um sinal para ela investigar o assunto mais profundamente.
Mas agora?
Não, não é da minha conta, Disse a si mesma.
Ou era?
Enquanto se interrogava, o telefone tocou novamente. Desta vez viu que a ligação era de Bill. Mandou uma mensagem para ele dizendo que tudo estava bem e que estaria em casa naquele dia à noite.
"Oi, Riley" Disse ele quando ela atendeu. “Apenas checando. Então tudo deu certo em Phoenix?”
"Obrigada por ligar, Bill" Respondeu. "Sim, a adoção é final agora."
"Espero que tudo tenha corrido sem problemas," Bill perguntou.
Riley não pôde deixar de rir.
"Não exatamente" Disse ela. "De fato, longe disso. Houve alguma violência envolvida. E um cachorro.”
Ouviu Bill rir também.
“Violência e um cachorro? Estou intrigado! Me conte mais!"
"Conto quando nos encontramos" Disse Riley. "É mais interessante se contar pessoalmente."
"Estou ansioso. Então nos vemos amanhã em Quantico.”
Riley ficou em silêncio por um momento enquanto se sentia à beira de uma estranha decisão.
Disse a Bill, "Não me parece. Acho que vou tirar mais alguns dias de folga.”
“Bem, você certamente merece isso. Parabéns novamente."
Terminaram a ligação e Riley subiu para o seu quarto. Ligou o computador.
Então reservou um voo para Atlanta para a manhã do dia seguinte.
Бесплатный фрагмент закончился.
